sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

6 de Janeiro



Hospital da Lapa-Porto


A 5 de Janeiro de 1966, com residência no Porto, aguardava o nascimento do 3º filho. Talvez dali a uns 20 dias!...
 Resolvi, nesse dia, abrir a mala das roupas de bébé para lavar tudo e assim, preparar a mala com antecedência!
Quando terminei, dei-me conta de que o trabalho de parto se tinha iniciado. Fiquei em pânico! Com a roupa do bébé  toda molhada, não tinha que lhe vestir. Mas nada disse.
Morava na R. Gonçalo Cristóvão; desci à Alcofa em Sá da Bandeira, de fronte aos Cunhas, e com uma aparente calma fui pedindo tudo o que precisava para os dois primeiros dias.
A senhora que me servia estava perplexa! Eu não queria escolher nada; só mandava colocar no saco!
Subi a rua, não sei bem como, e em  casa telefonei à Teresa Guerra : é para agora.
Não se acreditou; mas que fosse para o consultório que iria lá ter.
Ao observar-me, foi peremptória: depressinha para a Lapa.
Mas  a Sofia, fez questão de nascer aos 20 minutos  do dia 6 e não no dia 5; que esse já era  da Paula!

6 de Janeiro de 2018

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(foto da Net)

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quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

5 de Janeiro



Era  Janeiro de 1964, no Dundo, capital da  Lunda Norte e sede da Companhia dos Diamantes, a Diamang.
Ter-se-ia de  escolher o local onde pudesse nascer, em segurança, o nosso segundo filho. Eu residia em Saurimo, capital da Lunda Sul e em plena guerra colonial; razão da nossa permanência em Angola. Não houve qualquer hesitação na escolha. Era o lugar mais seguro, o hospital mais bem equipado em toda a Angola: o Hospital Distrital do Dundo.


Hospital Distrital do Dundo

 É a mesma fachada, tendo a mais os aparelhos de ar condicionado. Nesse tempo refrescávamo-nos com enormes ventoinhas no tecto.

 A cidade era sinistra. Havia apenas vivendas e ruas desertas. Não circulava dinheiro. Os bens eram adquiridos  pelos funcionários da Diamang num edifício para esse fim.
O director do hospital,  pessoa delicada, pôs à minha disposição a biblioteca do hospital, enquanto aguardava o parto, mas nada me interessou. Foram uns dias tenebrosos!
Mas no fim de semana fui presenteada com a visita dos meus Jorges: o pai e o filho de 14 meses; e no domingo, às 10h, com o apoio de uma enfermeira-parteira  excepcional, cheia de classe e experiência, nasceu a Paula!
No dia seguinte lá voltaram os dois para Saurimo.
O drama chegou com um telegrama a anunciar a deslocação intempestiva do Jorge para as "Terras do fim do mundo" (Gago Coutinho). E o Jorginho ficaria entregue a uma família amiga! O desassossego apoderou-se de mim e perante a recusa da alta, pedi a uma enfermeira de cor, a única que me compreendeu, para me comprar o bilhete de avião e  arranjar um táxi que me levasse ao aeroporto. Assinei o termo de responsabilidade, e lá fui eu de alcofa, bébé e mala  para Saurimo! A bordo, atraí a simpatia do comandante que me veio cumprimentar e dar os conselhos que achou necessários para me defender e à bébé, dos saltos que o avião iria dar àquela hora e naquela região.
Um ataque terrorista dar-se-ia uns meses depois,  em Saurimo; mas antes, escapei para Luanda  onde estive no hotel Globo até ao embarque para Lisboa.

5, Janeiro 2018
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(foto da Net)
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quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Deambulações Oblíquas




É porque nos decepcionamos
que procuramos a perfeição
O símbolo é o arco que abarca a totalidade
e por ele nós podemos alcançar
o que está do outro lado dela
A transcendência do que não vemos
a outra face do todo
é uma perspectiva simbólica
inerente à imediata presença
da face que estamos vendo
Assim o que vemos e o que não vemos
no objecto que estamos olhando
é a coisa em si que o animal não apreende
Não somos nunca o que está diante e separado
o que representa e o representado
em separada oposição
de ideia e objecto
de consciência e corpo
O que em nós está separado
em espírito e em corpo
está ao mesmo tempo unido
numa tensão oblíqua
que nos insere no mundo
E como seres simbólicos
e como seres-no-mundo
somos o que já somos
somos o que ainda não somos

António Ramos Rosa, in " Deambulações Oblíquas",
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sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Verklärte Nacht


          “Noite transfigurada”, obra  de Schoenberg de  1899  além de sexteto de cordas, é
 também um poema sinfónico que segue fielmente o texto homônimo de Richard Dehmel
            O poema de Dehmel conta o momento de aflição em que um novo casal durante um passeio noturno pelo bosque, a mulher conta ao seu namorado que está grávida de outro homem. Mais ainda: essa gravidez é fruto de uma relação casual com um  desconhecido.  O homem aceita a situação e diz que a noite mágica, " a noite transfigurada" que vivem, irá fazer da criança seu próprio filho.
               Schoenberg estruturou o seu sexteto num fluxo contínuo de música, mas como a partitura acompanha verso por verso o poema de Dehmel, é fácil distinguir cinco divisões na obra: dos primeiros passos do casal no bosque, passando pelo momento da revelação e chegando ao perdão trazido pela noite “transfigurada”.

 Poema de Richard Dehmel
Duas pessoas caminham por um bosque calvo e frio
A lua os acompanha, e eles a inspecionam
A lua corre sobre os altos carvalhos
Nenhuma nuvezinha turva a luz celeste
à qual se estendem os galhos negros

Fala a voz de uma mulher:

"Carrego eu uma criança, e não é tua
Ando ao teu lado em pecado
Cometi contra mim algo grave
Não acreditava mais na felicidade
e desejava ardentemente
um conteúdo de vida, a felicidade materna
e seus deveres. Por insolência
Deixei possuir, tremendo, meu sexo
por um homem estranho
e ainda me abençoei por isso
E agora a vida se vingou
E agora  encontrei-te, a ti..."

Ela deambula com passos desorientados
Ela olha para cima, a lua acompanha
Seu olhar sombrio se afoga na luz.

A voz de um homem fala:

"A criança que concebeste,
que ela não seja um peso na tua alma,
vê, como o universo cintila tão claro!
Um brilho circunda tudo
Flutuas comigo  num mar gelado
Mas um calor próprio flui de ti para mim, e de mim para ti.

Ele transfigurará a criança alheia,
e tu a parirás para mim e de mim.
Trouxeste-me o brilho
Fizeste-me criança".

Ela o agarra pelos quadris fortes
Seus hálitos se beijam no ar.
Duas pessoas andam pela noite alta e clara





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quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

29 de Dezembro, sexta feira




         Há 56 anos, tal como hoje,  o dia 29 de Dezembro  era sexta feira!
E também chovia!
Sendo a sexta feira um dia de azar e a chuva um prenúncio de felicidade, lá fomos misturando as duas coisas nas nossas vidas, de modo a atingir o equilíbrio de viver em saldo positivo.
Já todos perceberam que foi o dia do nosso casamento.
Mas a propósito disso há um episódio interessante!
Quando um dia precisamos de uma certidão de casamento, verificamos que a data registada era 30 e não 29; porque o funcionário, pessoa conhecida, teve receio que se registasse sexta feira, pudesse dar azar à menina. 
A menina era eu!...

29, Dezembro, 2017

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terça-feira, 26 de dezembro de 2017

No Natal de 2017



Ao colo da minha prima Helena que este Natal, mesmo na horinha da consoada ,resolveu deixar-nos!
Para sua memória   
                                                  



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sexta-feira, 15 de dezembro de 2017




A propósito da "Dama com Arminho"
 
 Obra de Leonardo Da Vinci. 1492-Renasimento
 Óleo sobre madeira  54cm x 40cm   Museu Czartoryski, Cracóvia, Polônia 


                 O retrato foi pintado quando Cecilia Gallerani, a modelo da obra, era  amante de Ludovico Sforza, duque de Milão, e nessa época Leonardo estava ao serviço do Duque. Cecilia Gallerani teria 17 anos quando foi pintada;  não era rica nem nobre  mas  era famosa pela sua beleza e cultura; pintava  e era amante de poesia!
                O "arminho" tem merecido várias interpretações. A de pureza, pois 
  o animal prefere deixar-se capturar por caçadores, a refugiar-se  num covil sujo, para não manchar a sua pureza. Mas também Gallerani deu à luz um filho reconhecido por Lodovico  e na cultura do Renascimento italiano, havia uma associação entre doninhas e gravidez sendo possível que o animal seja um símbolo da gravidez de Cecilia e não da pureza. Por outro lado, Ludovico  tinha recebido a Ordem do Arminho em 1488 e  usava-a como um emblema pessoal.
              O que é certo é que, estudos recentes, revelam que inicialmente a pintura não apresentava o arminho.  Foi pintado posteriormente com um arranjo das roupas e outra colocação da mão;  noutra intervenção,  o arminho foi alterado e pintado de cor branca.
Leonardo dificilmente dava as obras por acabadas

 
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              A pintura foi adquirida na Itália pelo príncipe Adam Jerzy Czartoryski para oferecer a sua mãe, a Princesa Czartoryska .  No entanto, antes da invasão do exército russo em 1830, a Princesa escondeu-o, e em seguida  enviou-o para Dresden e daí para o lugar de exílio dos Czartoryski em Paris, o Hôtel Lambert. Foi devolvido a Cracóvia em 1882. Em 1939, após a ocupação alemã da Polônia,  foi apreendido pelas nazis e enviado para o Museu Kaiser Friedrich em Berlim. Em 1940, o nazi Hans Frank, governador-geral da Polónia, solicitou a sua devolução para  Cracóvia, para decorar o seu escritório.
Eram brutos, mas tinham bom gosto!
No final da Segunda Guerra Mundial, foi descoberto por tropas aliadas na casa de campo de Frank na Baviera. Então foi devolvido à Polônia, para o Museu Czartoryski em Cracóvia, onde pode ser visto  depois de um período de restauro.


!5 de Dezembro, 2017

CC



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