terça-feira, 16 de julho de 2019

11 de Julho

                                                    0 grupo da Caparica



11de Julho de1973 um dia  trágico; a morte do meu Pai.
E é na saleta da suite onde estava internado que, quando cheguei ao pé da minha Mãe, vinda do quarto, sem conseguir articular uma palavra, ela susteve as minhas mãos nas dela e diz: "há 48 anos estávamos os dois muito felizes em Braga; tínhamo-nos casado nesse dia contra a vontade da minha família". - "Vitoriosos e felizes" disse eu. Ela sorriu!
Eu não tinha com a minha Mãe a mesma afinidade de gostos e sentimentos que tinha com o meu Pai! Naquele momento, grávida de sete meses do quarto filho, senti-me só!!!!!!!
O meu Pai  deixava-nos sem sabermos porquê. Sem um diagnóstico!... O meu colega que no momento lhe fazia uma transfusão, disse: "um gajo chegar a uma situação destas sem saber porquê!!!!!!!" Pois não; os melhores mestres não souberam. Não havia Ecografia, nem TAC , e supunha que enquanto se não soubesse, nada aconteceria. Havia um filho para nascer antes...
Antes?!
A Mãe perguntou-me se podia ir para minha casa; claro que pode. Mas não falamos nisto enquanto o bébé não nascer. . Até Setembro, que era a data prevista, nada pode ter acontecido. A Mãe aceitou o repto. Usamos os mesmos vestidos de côr e a Mãe concordou. Criamos uma cumplicidade que nunca tinha existido antes!
Os meus irmãos, surpreendidos e chocados, queriam saber o que tinha feito à Mãe.
Nada. Desconfiaram do efeito de alguma droga. Nem pensar!!...
Por sugestão do meu Sogro mudamo-nos para a Caparica para uma casa que lhe estava atribuída e com um apoio logístico excepcional! Lá fui: três filhos, o meu homem e a Mãe. Juntei mais uma sobrinha de 2anos.
Tudo se fazia sem  perguntas; até que tivemos de regressar ao trabalho.
Recurso às empregadas da Mãe e nada se alterou.
Chegou o dia da atrapalhação. 11 de Setembro . Corrida para o Hospital do Carmo e avisar a Teresa Guerra. A Teresa estava a operar em Valongo. A Irmã no Carmo tranquilizou-me. Eu afinal nem precisava porque estava aparentemente serena. A sensação de estar na borda de um precipício!  E quando a bébé nasceu: É uma menina muito bonita.  É perfeita? Perfeitíssima, olhe p´ra isto, diz a Teresa.
Levanto a cabeça e vejo um bébé tão lindo e, sem me poder conter, desatei num chôro que por mais que chorasse as lágrimas não secavam. Lágrimas que tinha guardado para depois do bébé nascer.
Sem nada dizermos, eu e a Mãe passamos a vestirmo-nos de luto como era habitual nessa altura. Acredito que o meu Pai nunca nos perdeu de vista!
E é este 11 de Julho que eu guardo.


Porto
11, Julho 2019

C C


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segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Vênus callipigia


Vênus callipigia ou "Vênus (Afrodite) das belas nádegas"











                                 A lindíssima Vênus Calipígia sobrevivente é uma antiga obra romana de mármore do século I a.C. O original deve ter sido uma estátua grega de bronze do início do período helenístico, que foi, provavelmente, fundida. Desconhece-se o autor da obra romana, mas sabe-se que foi encontrada sem cabeça, em Roma, antes do século XVI.
Depois de reconstruída, não se sabe por quem, foi adquirida, agora com cabeça, pela família Farnese.
Carlos de Bourbon, herdeiro de todo o património Farnese, levou-a para o outro lado do Tibre, para a Villa Farnesina.
No sec XVIII os Bourbon resolveram levar toda a Colecção Farnese para Nápoles, construindo para isso o Museu Capidimonte, onde estive em Maio passado. Mas antes disso, foi restaurada por Albacini. Este substituiu a cabeça, os braços e uma perna, respeitando a restauração anterior de forma bastante fiel,  mantendo a figura a olhar para trás sobre os ombros.
Actualmente continua em Nápoles, mas no Museu Arqueológico Nacional.



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sábado, 19 de janeiro de 2019

Eugénio de Andrade






Eugénio de Andrade-19 Jan 1923 // 13 Jun 2005

Escreveu os  primeiros poemas em 1936, e em 1940, publicou o seu primeiro livro Narciso, por aconselhamento de António Botto.
Tornou-se funcionário público em 1947, exercendo durante 35 anos as funções de Inspector Administrativo do Ministério da Saúde. É neste período que o conheço pessoalmente. De seu nome Fontinha,  não era "flor que se cheirasse". No meu entender tinha exigências desnecessárias e algumas vezes a despropósito. Tive mesmo numa  ocasião de usar de  autoridade e pô-lo fora do meu consultório. Contudo, nada disto foi motivo que o afastasse ou impedisse de me "pedir boleia", algumas vezes. Estávamos a 15Km do Porto e ele aparecia de auto-carro.
Tinha uma conversa interessante, o que me fez  pensar  estar perante uma pessoa com  grande sensibilidade poética e que nada tinha a ver com a profissão que exercia: mas não o conhecia como poeta.
Depois, foi o Eugénio de Andrade, que  apesar do seu enorme prestígio nacional e internacional,  sempre viveu distanciado do bulício da vida social, literária ou mundana. Justificava as suas raras aparições públicas com «essa debilidade do coração que é a amizade».
A sua última residência foi a extinta e malograda FUNDAÇÃO EUGÉNIO DE ANDRADE na Foz do Douro .
Encontra-se sepultado no Cemitério do Prado do Repouso, no Porto, numa campa rasa de mármore branco da autoria de Sisa Vieira, onde constam os versos da sua obra As Mãos e os Frutos, .

Até Amanhã
Sei agora como nasceu a alegria,
como nasce o vento entre barcos de papel,
como nasce a água ou o amor
quando a juventude não é uma lágrima.

É primeiro só um rumor de espuma
à roda do corpo que desperta,
sílaba espessa, beijo acumulado,
amanhecer de pássaros no sangue.
É subitamente um grito,
um grito apertado nos dentes,
galope de cavalos num horizonte
onde o mar é diurno e sem palavras.
Falei de tudo quanto amei.
De coisas que te dou
para que tu as ames comigo:
a juventude, o vento e as areias.
E.A.

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quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Recital de piano na Casa da Música


        Ontem estreei-me como assinante na CM. Continuo na Gulbenkian, enquanto puder, noutras áreas; naquelas que nunca vêm ao Porto😃
Mas ontem, foi um recital soberbo! Nuno Ventura de Sousa, jovem pianista portuense, tem um curriculum de fazer inveja e ontem, confirmou-o. Entusiasmei-me, sobretudo, na Sonata "Vento da Noite" de Nicolai Medtner. Uma segurança e interpretação que para mim foi perfeita!
Da Sonata de Schubert, não posso dizer o mesmo. É que nos meus ouvidos soa Brendell e será muito difícil destroná-lo ou tão pouco igualar.
Mas os aplausos , na CM, são uma pecha! Não se grita, não se berra, não se bate com os pés........são umas palmas cerimoniosas que ao fim de poucos minutos estão cansadas!
Assim é tristonho.



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sábado, 5 de janeiro de 2019

6 de Janeiro



Os Parabéns da Sofia no dia em que faz anos

são uma recordação muito feliz, em Vale Maior - Rates, numa de muitas tardes onde

íamos merendar em jeito de pic-nic.




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5 de Janeiro



Os Parabéns da Paula,

no dia em que faz Anos, são uma recordação muito terna, ao colo da minha Mãe, no

regresso de Angola em Setembro de 1964. O lugar é o alpendre da casa da praça, em

Rates




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quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Camus



No dia em que Camus fazia anos





        Camus faria hoje anos!
Escritor da minha juventude, não era fácil, se não impossível, adquirir os livros dele no tempo da ditadura. Daí que na minha primeira ida a Paris, Maio de 1960,  fui à procura deles! E um dos que comprei foi o Estranjeiro. Camus tinha morrido num acidete de viação em Janeiro desse ano E
Sartre, sobre o "ESTRANGEIRO", disse:(...)

"O estrangeiro que ele quer pintar é justamente um desses terríveis inocentes que constituem o escândalo de uma sociedade porque lhe não aceitam as regras do jogo. Vive entre os estrangeiros, mas para eles é também um estrangeiro. Por isso alguns hão-de amá-lo, como Maria, sua amante, que lhe dá importância " porque é bizarro"; e outras detestá-lo-ão por isso, como aquela multidão do tribunal, cujo ódio ele sente de súbito subir contra si. E nós próprios que, abrindo o livro, ainda não estamos familiarizados com o sentimento do absurdo, procuraríamos em vão julgá-lo segundo as nossas normas habituais: ele é um estrangeiro também para nós. Desse modo, o choque que o leitor sentiu ao abrir o livro, quando leu: "Pensei que passara mais um domingo, que a Mãe já fora a enterrar, que ia regressar ao meu trabalho e que, no fim de contas, continuava tudo na mesma", era voluntário: é o resultado do primeiro encontro do leitor com o absurdo. Mas o leitor esperava talvez que, levando por diante a leitura da obra, veria dissipar-se o seu mal estar, que tudo ficaria a pouco e pouco esclarecido, baseado em razão, explicado. A sua esperança ficou desiludida: O Estrangeiro não é um livro que explica: o homem absurdo não explica, descreve; não é também um livro que prove. Camus sòmente propõe e não se inquieta com justificar o que, por princípio, é injustificável. (...)
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