quinta-feira, 18 de junho de 2020

VITÓRIA DE SAMOTRÁCIA





Este poema nasceu de um sentimento experimentado por Maria Teresa Horta aos dezanove anos, na sua primeira visita ao Louvre.

VITÓRIA DE SAMOTRÁCIA

Subia as escadarias do Louvre
e de súbito vi-te
com as tuas asas abertas

Lá em cima...

Como um belíssimo anjo
degolado
na sua veste feminina

Vitória de Samotrácia
– soube, aturdida
com a tua estranheza

E sentei-me nos degraus
de mármore
a chorar de beleza

MTH



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quarta-feira, 17 de junho de 2020

Caravaggio

Santa Catarina de Alexandria, 

padroeira das solteiras e estudantes


Sta Catarina de Alexandria
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Zurbaran


Da última fase do pintor, encontrado no seu atelier quando morreu e recuperado recentemente.



Los ‘Desposorios místicos de Santa Catalina de Alejandría’ (1660-1662)

                              Procedente de una colección privada en Suiza, es una de las obras recientemente identificada como autógrafa de Francisco de Zurbarán. Es un magnífico ejemplo del estilo del pintor extremeño en los años finales de su carrera, descubierto hace poco tiempo por Odile Delenda, una delas comisarias de la exposición ‘Zurbarán: una nueva mirada’, que lo identificó como uno de los cuadros citados en el inventario de obras que el pintor tenía en su taller cuando falleció.(Museo Nacional Thyssen-Bornemisza )

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S JOÃO BAPTISTA

"João Batista" - Leonardo da Vinci
Pintor renascentista italiano (1452-1519)


LEONARDO DA VINCI retratou S. João Baptista de uma forma controversa.
Houve e há diferenças de opinião sobre o significado da mão do santo apontando para cima, e o seu sorriso enigmático. Enquanto o tronco tem uma certa solidez e força, o rosto e a expressão tem uma delicadeza e uma suavidade algo misteriosa que parecem contradizer a personalidade austera e de rigor do Santo.

C C

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segunda-feira, 15 de junho de 2020

Na memória de Eugénio de Andrade




As Palavras Interditas
 

Os navios existem, e existe o teu rosto
encostado ao rosto dos navios.
Sem nenhum destino flutuam nas cidades,
partem no vento, regressam nos rios.
Na areia branca, onde o tempo começa,
uma criança passa de costas para o mar.
Anoitece. Não há dúvida, anoitece.
É preciso partir, é preciso ficar.
Os hospitais cobrem-se de cinza.
Ondas de sombra quebram nas esquinas.
Amo-te... E entram pela janela
as primeiras luzes das colinas.
As palavras que te envio são interditas
até, meu amor, pelo halo das searas;
se alguma regressasse, nem já reconhecia
o teu nome nas suas curvas claras.
Dói-me esta água, este ar que se respira,
dói-me esta solidão de pedra escura,
estas mãos nocturnas onde aperto
os meus dias quebrados na cintura.
E a noite cresce apaixonadamente.
Nas suas margens nuas, desoladas,
cada homem tem apenas para dar
um horizonte de cidades bombardeadas.

in “Poesia e Prosa

C C

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Luis de Camões







Em Vila Nova de Cerveira fabuloso retrato de Luís Vaz de Camões da autoria do mestre
José Rodrigues

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sábado, 13 de junho de 2020

POESIA AFRICANA


NAMORO


Mandei-lhe uma carta em papel perfumado
e com a letra bonita eu disse ela tinha
um sorrir luminoso tão quente e gaiato
como o sol de Novembro brincando de artista nas acácias floridas
espalhando diamantes na fímbria do mar

e dando calor ao sumo das mangas.
sua pele macia - era sumaúma...
Sua pele macia, da cor do jambo, cheirando a rosas
tão rijo e tão doce - como o maboque...
Seu seios laranjas - laranjas do Loge
seus dentes... - marfim...
Mandei-lhe uma carta
e ela disse que não.
Mandei-lhe um cartão
que o Maninjo tipografou:
"Por ti sofre o meu coração"
Num canto - SIM, noutro canto - NÃO
E ela o canto do NÃO dobrou.
Mandei-lhe um recado pela Zefa do Sete
pedindo rogando de joelhos no chão
pela Senhora do Cabo, pela Santa Ifigénia,
me desse a ventura do seu namoro...
E ela disse que não.
Levei à avó Chica, quimbanda de fama
a areia da marca que o seu pé deixou
para que fizesse um feitiço forte e seguro
que nela nascesse um amor como o meu...
E o feitiço falhou.
Esperei-a de tarde, à porta da fábrica,
ofertei-lhe um colar e um anel e um broche,
paguei-lhe doces na calçada da Missão,
ficamos num banco do largo da Estátua,
afaguei-lhe as mãos...
falei-lhe de amor... e ela disse que não.
Andei barbado, sujo, e descalço,
como um mona-ngamba.
Procuraram por mim
" - Não viu...(ai, não viu...?) Não viu Benjamim?"
E perdido me deram no morro da Samba.
E para me distrair
levaram-me ao baile do sô Januário
mas ela lá estava num canto a rir
contando o meu caso às moças mais lindas do Bairro Operário
Tocaram uma rumba dancei com ela
e num passo maluco voamos na sala
qual uma estrela riscando o céu!
E a malta gritou: "Aí Benjamim!"
Olhei-a nos olhos - sorriu para mim
pedi-lhe um beijo - e ela disse que sim.

Viriato da Cruz
 No reino de Caliban II

Antologia panorâmica de poesia africana de expressão portuguesa

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