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quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Porque fiz anos



O Nascimento de Vênus (1486), Sandro Botticelli


 Festejar o dia em que nasci, é um gosto que me vem da infância! E ao recordá-lo, ao aproximar-me da minha meninice, do meu começo, tomo consciência do caminho percorrido  e de tudo o que a vida me reservou para a viver. Como quem faz um balanço!
Mas a memória também se encarrega de me lembrar os outros dias de anos. Despreocupados....... a toalha branca de linho com cheirinho a alfazema, linho da nossa casa, que o víamos crescer e florir;  só não se tecia. Mas espadelava-se e fiava-se nos serões de inverno.
E o serviço de jantar que saía dos armários só em dias de festa?!
E a cadeira de braços  que se trazia da sala de visitas para o aniversariante e se engalanava com fitas e laços, dando-nos uma sensação de inigualável importância!
Às vezes faziam-se tapetes de flores no corredor que dava acesso à sala de jantar!
E também se sentia o cheirinho que vinha da cozinha e nos permitia adivinhar o que iria ser servido; não esquecendo, porque nunca faltava, o leite creme torrado.
E depois, vinham as prendas e os versos feitos especialmente para o dia, pelo meu Pai. E cantava-se!
Era um dia feliz!

Os anos da Bita

Eu quero fazer aqui à nossa Mariinha
Uns versos lindos de ternura e amor
Mas a minha pobre lira coitadinha
Só dará versos tristes, sem métrica e sem cor.

Não devia ser, porque ela, a marota,
É sempre alegre, risonha e traquinas;
E seria bom que, já que hoje, à solta,
Os pratos, as chávenas, as travessas, as terrinas,

Saem dos armários, gavetas e prateleiras,
Se cantassem em estrofes lindas de alegria
Os caracóis doirados da sua cabeleira
O "sono" que tanto a enleva e delicia,

Cantar-lhe os anos festivos que hoje faz,
Comer frango com arroz e creme tostado
Em honra da Maria que tanto se compraz
(...)

Festejemos, então, os anos neste dia,
Da nossa rebolota de ares tão meigos.
E, comamos e bebamos com alegria,
E vamos na sua face dar ternos beijos

I-XII-939
J. Cancela

(extracto de versos do meu Pai
no dia dos meus 5 anos.)


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domingo, 27 de maio de 2012

O Nascimento de Vénus

 
  O nascimento de Vénus



 O Nascimento de Vénus é uma pintura de Sandro Botticelli, de 1482 que, em conjunto com a Alegoria da Primavera, faz parte de um encomenda de Lorenzo di Pierfrancesco de Médici para a Villa Medicea di Castello.  A obra está exposta na Galleria degli Uffizi, em Florença. É uma pintura  a têmpera sobre madeira e mede 172,5 cm de altura por 278,5 cm de largura.

Não se conhece ao certo quais  as fontes de inspiração de Botticelli, mas parece não haver dúvidas quanto às influências de obras como a "Metamorfose" e "Fasti",  de Ovídio, e "Versos" de Poliziano, erudito e poeta  florentino,  do renascimento.

 Colocada no centro da composição, a Deusa Vénus,  representada sob a forma de mulher adulta, nua,  surge da espuma do mar erguendo-se sobre uma concha que é impelida e acariciada pelo sopro de Zéfiro, o vento fecundador, que aparece esvoaçando, abraçado a Clóris, a ninfa que com ele simboliza o acto físico do amor.

A concha aproxima-se da costa da ilha de Chipre.

Do lado oposto,  encontra-se em terra, a figura de uma Hora,  (as Horas são as ninfas que presidem  às mudanças das estações),  a oferecer à deusa um longo manto todo florido para a  proteger.

Não é por acaso que o manto oferecido à deusa é cor de rosa, e que as flores são açucenas, o que representa na História da Arte a “virgem rainha dos céus”. E a ideia de Vénus Sagrada é representada simbolicamente pelos ramos de murta.

As cores são naturais e suaves;  as formas elegantes e esbeltas. Há quem se interrogue se o alongamento exagerado do pescoço de Vénus e o descair do ombro esquerdo representam uma imperfeição artística ou o alvorecer do Maneirismo que vem a seguir. Muito provavelmente será  esta a explicação.

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terça-feira, 20 de março de 2012

Primavera

A Primavera de Botticelli



Botticelli, de seu nome Alessandro di Mariano Filipepi, natural de Florença, deve o seu nome artístico ao seu irmão que por ser pequenino e gordinho o apelidaram de Botticelli ( botijinha). O irmão morreu e então Alessandro herdou-lhe o nome. Viveu nos anos de 1445 a 1510.
Boticeli, oriundo de uma família burguesa, viveu no entanto na Florença dos Médicis e sob os seus patrocínios. A Primavera foi encomendada por Lorenzo di Pierfrancesco do Médicis para ser colocada na villa mediceia de Castello.
Actualmente encontra-se na galeria dos Uffizi em Florença.
Esta obra é uma pintura a têmpera sobre madeira, mede 203 cm × 314 cm e é consensual admitir-se que representa um grupo de figuras mitológicas num jardim presidido por Vénus, cheio de flores e variadíssimas plantas (alegoria da Primavera).
Outras opiniões têm-na interpretado como uma ilustração do amor neoplatónico, muito do agrado dos Médicis. Mas o tema, em geral, inspira-se na descrição mitológica do poeta Ovídio sobre a chegada da primavera.
As personagens nele representadas, são: à direita, Zéfiro, vento oeste, avança violentamente atrás de uma ninfa que entra no jardim. É uma alusão ao rapto de Chloris. Vêem-se flores a sair-lhe da boca...
Arrependido fez dela a Deusa Flora e deu-lhe o domínio sobre a Primavera.

«Enquanto ela falava, os seus lábios exalavam rosas primaverís: Eu fui Chloris e agora chamam-me Flora.» (Ovídio)

A Primavera, Deusa Flora, representada na figura feminina com vestido às flores, grávida, vai entrando no jardim lançando flores por onde passa, perfumando tudo, enchendo tudo de maravilha. Símbolo da fertilidade.

Ao fundo, observando e controlando tudo, está Vénus.

No ar, voando, cego e armado com o seu arco, Cupido seu filho, de ollhos vendados, aponta a seta do amor em direcção às três figuras que representam as Graças (Aglaia, Tália e Eufrónsina), símbolos da sensualidade, da beleza e da castidade.
À esquerda, Mercúrio protege o jardim, atento e de espada à cintura, capaz de afastar os mais temíveis adversários.

Na tradição clássica, Vénus e Cupido, devem fazer ressurgir os campos fustigados pelo inverno iniciando a primavera ao semear flores, beleza e atracção entre todos os seres.
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