Schoenberg,o "inventor" do dodecafonismo, além de ser o maior músico do sec XX, também se dedicou à pintura e integrou o grupo alemão "Cavaleiro Azul" pensado e criado por Kandinsky.
Mas Schoenberg, como é habitual nas pessoas geniais, tinha manias. Tinha medo e terror ao número treze. E por coincidência ou "força oculta", nasceu no dia 13 de Setembro e vivia obcecado com a ideia de que iria morrer quando tivesse 76 anos (7+6=13) quando deu conta que, nesse ano, o dia 13 de Julho era numa Sexta feira. Conta-se que, chegado a esse dia, permaneceu deitado o dia todo. E quando a mulher alguns minutos antes da meia-noite entrou no quarto para, por brincadeira, festejar o fracasso da premunição, ele fitou-a, pronunciou "Harmonia" e então morreu!
A hora da sua morte foi 23:47, 13 minutos antes da meia-noite, numa sexta-feira 13, no seu septuagésimo sexto ano de vida (7+6=13) e com data de nascimento a 13 de Setembro!!!!!!
Domenico Ghirlandaio pintor renascentista italiano contemporâneo de Botticelli e Filippino Lippi. Formou toda uma geração de excelentes artistas. Michelangelo foi um dos seus aprendizes.
A 5 de Janeiro de 1966, com residência no Porto, aguardava o nascimento do 3º filho. Talvez dali a uns 20 dias!...
Resolvi, nesse dia, abrir a mala das roupas de bébé para lavar tudo e assim, preparar a mala com antecedência!
Quando terminei, dei-me conta de que o trabalho de parto se tinha iniciado. Fiquei em pânico! Com a roupa do bébé toda molhada, não tinha que lhe vestir. Mas nada disse.
Morava na R. Gonçalo Cristóvão; desci à Alcofa em Sá da Bandeira, de fronte aos Cunhas, e com uma aparente calma fui pedindo tudo o que precisava para os dois primeiros dias.
A senhora que me servia estava perplexa! Eu não queria escolher nada; só mandava colocar no saco!
Subi a rua, não sei bem como, e em casa telefonei à Teresa Guerra : é para agora.
Não se acreditou; mas que fosse para o consultório que iria lá ter.
Ao observar-me, foi peremptória: depressinha para a Lapa.
Mas a Sofia, fez questão de nascer aos 20 minutos do dia 6 e não no dia 5; que esse já era da Paula!
Era Janeiro de 1964, no Dundo, capital da Lunda Norte e sede da Companhia dos Diamantes, a Diamang. Ter-se-ia de escolher o local onde pudesse nascer, em segurança, o nosso segundo filho. Eu residia em Saurimo, capital da Lunda Sul e em plena guerra colonial; razão da nossa permanência em Angola. Não houve qualquer hesitação na escolha. Era o lugar mais seguro, o hospital mais bem equipado em toda a Angola:o Hospital Distrital do Dundo.
Hospital Distrital do Dundo
É a mesma fachada, tendo a mais os aparelhos de ar condicionado. Nesse tempo refrescávamo-nos com enormes ventoinhas no tecto.
A cidade era sinistra. Havia apenas vivendas e ruas desertas. Não circulava dinheiro. Os bens eram adquiridos pelos funcionários da Diamang num edifício para esse fim. O director do hospital, pessoa delicada, pôs à minha disposição a biblioteca do hospital, enquanto aguardava o parto, mas nada me interessou. Foram uns dias tenebrosos! Mas no fim de semana fui presenteada com a visita dos meus Jorges: o pai e o filho de 14 meses; e no domingo, às 10h, com o apoio de uma enfermeira-parteira excepcional, cheia de classe e experiência, nasceu a Paula! No dia seguinte lá voltaram os dois para Saurimo. O drama chegou com um telegrama a anunciar a deslocação intempestiva do Jorge para as "Terras do fim do mundo" (Gago Coutinho). E o Jorginho ficaria entregue a uma família amiga! O desassossego apoderou-se de mim e perante a recusa da alta, pedi a uma enfermeira de cor, a única que me compreendeu, para me comprar o bilhete de avião e arranjar um táxi que me levasse ao aeroporto. Assinei o termo de responsabilidade, e lá fui eu de alcofa, bébé e mala para Saurimo! A bordo, atraí a simpatia do comandante que me veio cumprimentar e dar os conselhos que achou necessários para me defender e à bébé, dos saltos que o avião iria dar àquela hora e naquela região. Um ataque terrorista dar-se-ia uns meses depois, em Saurimo; mas antes, escapei para Luanda onde estive no hotel Globo até ao embarque para Lisboa.
É porque nos decepcionamos que procuramos a perfeição O símbolo é o arco que abarca a totalidade e por ele nós podemos alcançar o que está do outro lado dela A transcendência do que não vemos a outra face do todo é uma perspectiva simbólica inerente à imediata presença da face que estamos vendo Assim o que vemos e o que não vemos no objecto que estamos olhando é a coisa em si que o animal não apreende Não somos nunca o que está diante e separado o que representa e o representado em separada oposição de ideia e objecto de consciência e corpo O que em nós está separado em espírito e em corpo está ao mesmo tempo unido numa tensão oblíqua que nos insere no mundo E como seres simbólicos e como seres-no-mundo somos o que já somos somos o que ainda não somos António Ramos Rosa, in " Deambulações Oblíquas",
“Noite
transfigurada”, obra de Schoenberg de 1899 além de sexteto de cordas, é
também um poema sinfónico que segue fielmente o texto homônimo de Richard Dehmel
O poema de Dehmel conta o momento de aflição em que um novo casal durante um
passeio noturno pelo bosque, a mulher conta ao seu
namorado que está grávida de outro homem. Mais ainda: essa gravidez é
fruto de uma relação casual com um desconhecido. O homem aceita a situação e diz que a noite mágica, " a noite transfigurada" que
vivem, irá fazer da criança seu próprio filho.
Schoenberg estruturou o seu sexteto num fluxo contínuo de música, mas como a partitura
acompanha verso por verso o poema de Dehmel, é fácil distinguir cinco
divisões na obra: dos primeiros passos do casal no bosque, passando pelo
momento da revelação e chegando ao perdão trazido pela noite
“transfigurada”.
Poema de Richard Dehmel
Duas pessoas caminham por um bosque calvo e frio
A lua os acompanha, e eles a inspecionam
A lua corre sobre os altos carvalhos
Nenhuma nuvezinha turva a luz celeste
à qual se estendem os galhos negros
Fala a voz de uma mulher:
"Carrego eu uma criança, e não é tua
Ando ao teu lado em pecado
Cometi contra mim algo grave
Não acreditava mais na felicidade
e desejava ardentemente
um conteúdo de vida, a felicidade materna
e seus deveres. Por insolência
Deixei possuir, tremendo, meu sexo
por um homem estranho
e ainda me abençoei por isso
E agora a vida se vingou
E agora encontrei-te, a ti..."
Ela deambula com passos desorientados
Ela olha para cima, a lua acompanha
Seu olhar sombrio se afoga na luz.
A voz de um homem fala:
"A criança que concebeste,
que ela não seja um peso na tua alma,
vê, como o universo cintila tão claro!
Um brilho circunda tudo
Flutuas comigo num mar gelado
Mas um calor próprio flui de ti para mim, e de mim para ti.
Ele transfigurará a criança alheia,
e tu a parirás para mim e de mim.
Trouxeste-me o brilho
Fizeste-me criança".
Ela o agarra pelos quadris fortes
Seus hálitos se beijam no ar.
Duas pessoas andam pela noite alta e clara
Há 56 anos, tal como hoje, o dia 29 de Dezembro era sexta feira! E também chovia! Sendo a sexta feira um dia de azar e a chuva um prenúncio de felicidade, lá fomos misturando as duas coisas nas nossas vidas, de modo a atingir o equilíbrio de viver em saldo positivo. Já todos perceberam que foi o dia do nosso casamento. Mas a propósito disso há um episódio interessante! Quando um dia precisamos de uma certidão de casamento, verificamos que a data registada era 30 e não 29; porque o funcionário, pessoa conhecida, teve receio que se registasse sexta feira, pudesse dar azar à menina. A menina era eu!...