sábado, 9 de abril de 2011
Concret PH
O Concret ph de Xenaquis, foi, como se sabe, composto para ser ouvido no Pavilhão PHilips na Expo 58, em Bruxelas.
Em Concret PH, Xenakis utilizou como única fonte sonora os sons oriundos de uma fábrica de carvão e, aplicando princípios matemáticos e arquitectónicos, conseguiu sons em curvas de frequencias muito variadas. As letras "PH"referidas no título da composição não são mais que uma referência directa às curvas geométricas - parábola e hipérbole. Este trabalho de Xenakis demonstra a dimensão espacial da composição e execução musicais
terça-feira, 5 de abril de 2011
Herbert von Karajan
Em 5 de Abril de 1908 nascia em Salzburgo nesta linda casa nas margens do rio Salzac o enorme maestro Herbert von Karajan.Esta é uma pequenina homenagem, ouvindo a sinfonia com que há cerca de 42 anos tive o privilégio de o ver. Era a Filarmónica de Berlim e ouviram-se outras coisas, claro, mas esta ficou mais colada à memória.
quarta-feira, 30 de março de 2011
A ponte de Chatou
Isto aconteceu em Janeiro passado, enquanto visitava a exposição no Museu do Prado, "Paixão por Renoir". As obras que se expunham, fazem parte da Colecção Sterling and Francine Clark Art Institute e era a primeira vez que saiam da América, e a primeira vez que Renoir vinha ao Prado .
Com curiosidade, fui ver a exposição; de resto vou com alguma frequência às exposições do triângulo museológico de Madrid: Prado, Bornemisa e Rainha Sofia.
E então, era assim:
Junto de mim, seguia uma jovem mãe acompanhada da filha que aparentava ter 5 anos. Desde logo me chamou a atenção, a forma como a mãe procurava explicar à filha o sentido das obras, usando gestos e expressões muito interessantes. Chegadas em frente da ponte de Chatou, diz a criança:
- Que puente es maman?
- El puente de Chatou.
- Como se diz, en espagnol?
- Chatou
- Chatou? E d'onde és?
- Mui cierca de Paris. Paris és la capital de la Francia.
- Ah!...
Poder-se-á achar vulgar; eu não achei.
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domingo, 27 de março de 2011
Música sempre
Béla Viktor János Bartók, conhecido como Béla Bartók, nasceu na Hungria a 25 de março de 1881
POESIA
sexta-feira, 25 de março de 2011
POESIA
Ó Portugal, se fosses só três sílabas,
linda vista para o mar,
Minho verde, Algarve de cal,
jerico rapando o espinhaço da terra,
surdo e miudinho,
moinho a braços com um vento
testarudo, mas embolado e, afinal, amigo,
se fosses só o sal, o sol, o sul,
o ladino pardal,
o manso boi coloqial, a rechinante sardinha,
a desancada varina,
o plumitivo ladrilhado de lindos adjectivos,
a muda queixa amendoada
duns olhos pestanítidos,
se fosses só a cegarrega do estio, dos estilos,
o ferrugento cão asmático das praias,
o grilo engaiolado, a grila no lábio,
o calendário na parede, o emblema na lapela,
ó Portugal, se fosses só três sílabas
de plástico, que era mais barato!
*
Doceiras de Amarante, barristas de Barcelos,
rendeiras de Viana, toureiros da Golegã,
não há "papo-de-anjo" que seja o meu derriço,
galo que cante a cores na minha prateleira,
alvura arrendada para o meu devaneio,
bandarilha que possa enfeitar-me o cachaço.
Portugal: questão que eu tenho comigo mesmo,
golpe até ao osso, fome sem entretém,
perdigueiro marrado e sem narizes, sem perdizes,
rocim engraxado, feira cabisbaixa,
meu remorso,
meu remorso de todos nós...
Alexandre O'Neil,
in "Feira Cabisbaixa", 1965


