sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

POESIA

Praia dosTrês Irmãos

De todos os cantos do mundo
Amo com um amor mais forte e mais profundo
Aquela praia extasiada e nua
Onde me uni ao mar, ao vento e à lua.
Mar, p. 10

Sophia de Mello Breyner

sábado, 22 de janeiro de 2011

POESIA

Pablo Picasso

Letra para um hino

É possível falar sem um nó na garganta
é possível amar sem que venham proibir
é possível correr sem que seja fugir.
Se tens vontade de cantar não tenhas medo: canta.

É possível andar sem olhar para o chão
é possível viver sem que seja de rastos.
Os teus olhos nasceram para olhar os astros
se te apetece dizer não grita comigo: não.

É possível viver de outro modo. É
possível transformares em arma a tua mão.
É possível o amor. É possível o pão.
É possível viver de pé.

Não te deixes murchar. Não deixes que te domem.
É possível viver sem fingir que se vive.
É possível ser homem.
É possível ser livre livre livre.

Manuel Alegre

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

DURER

Adão e Eva

A obra maravilhosa de Durer, agora restaurada no Museu do Prado.

POESIA

Prainha
Quando


Quando olho para mim não me percebo.
Tenho tanto a mania de sentir
Que me extravio às vezes ao sair
Das próprias sensações que eu recebo.

O ar que respiro, este licor que bebo,
Pertencem ao meu modo de existir,
E eu nunca sei como hei de concluir
As sensações que a meu pesar concebo.

Nem nunca, propriamente reparei,
Se na verdade sinto o que sinto. Eu
Serei tal qual pareço em mim? Serei

Tal qual me julgo verdadeiramente?
Mesmo ante as sensações sou um pouco ateu,
Nem sei bem se sou eu quem em mim sente.

Álvaro de Campos

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

domingo, 26 de dezembro de 2010

POESIA

O Natal de 2010

Ladainha dos póstumos Natais


Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que se veja à mesa o meu lugar vazio

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que hão-de me lembrar de modo menos nítido

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que só uma voz me evoque a sós consigo

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que não viva já ninguém meu conhecido

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que nem vivo esteja um verso deste livro

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que terei de novo o Nada a sós comigo

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que nem o Natal terá qualquer sentido

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que o Nada retome a cor do Infinito

 
 David Mourão-Ferreira

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domingo, 5 de dezembro de 2010

Concurso de Natal 2010 da Barbearia do Senhor Luis


Destina-se este exemplar ao creditado Concurso de Natal 2010 , da Barbearia do Senhor Luis.
OVELHAS DE PRESÉPIO
Sem manipulações nem artifícios, esta ovelha apresenta-se fofa, bem coberta de lã, e lá para Abril, época da tosquia, está óptima para ser tosquiada.
Com tesouras e navalhas tão afiadas como as usadas nessa barbearia, espero bem, que lhe poupem a pele e evitem as golpeaduras.
Confio na jurisprudência do magnífico júri e claro está na sua aceitação para um honroso 1º lugar.