terça-feira, 16 de novembro de 2010

POESIA

Edward Hopper


Coral

Sei que estou só e gelo entre as folhagens
Nenhuma gruta me pode proteger
Como um laço deslaça-se o meu ser
E nos meus olhos morrem as paisagens.

Desligo da minha alma a melodia
Que inventei no ar. Tombo das imagens
Como um pássaro morto nas folhagens
Tombando, se desfaz na terra fria

Sophia de Mello Breyner Andersen

domingo, 14 de novembro de 2010

POESIA

E. HOPPER

Crepúsculo


É quando um espelho, no quarto,
se enfastia;
Quando a noite se destaca
da cortina;
Quando a carne tem o travo
da saliva,
e a saliva sabe a carne
dissolvida;
Quando a força de vontade
ressuscita;
Quando o pé sobre o sapato
se equilibra...
E quando às sete da tarde
morre o dia
- que dentro de nossas almas
se ilumina,
com luz lívida, a palavra
despedida.

Davide Mourão Ferreira

domingo, 7 de novembro de 2010

dorme meu menino

a estrêla d'alva
já a procurei e não a vi
se ela não vier de madrugada
outra que eu souber,
será p'ra ti...

sábado, 6 de novembro de 2010

O João Maria chegou há um instante


(...)Mostrai-me as anémonas, as medusas e os corais
Do fundo do mar.
Eu nasci há um instante.(...)
.
Sophia de Mello Breyner
in Coral

terça-feira, 19 de outubro de 2010

a praia deserta



As ondas quebravam uma a uma
Eu estava só com a areia e com a espuma
Do mar que cantava só para mim.
.
Sophia de Mello Breyner
em Dia do Mar

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

fim de verão

Moledo - ontem



O Sol liquefaz-se, é rio;

A sua luz, água ao vento;

Sobre o mar turvo, cinzento,

Tem qualquer coisa de frio.



Chamam-lhe Deus os pagãos.

Depois, o Sol, quando passa

Solta os cabelos, com graça,

Deixa-nos oiro nas mãos...
.

Pedro Homem de Melo
em Bendito

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Música sempre

Pela mão de P.B. cheguei aqui. Espero que gostem da minha opção.