quinta-feira, 1 de julho de 2010

Música sempre

Pela mão de P.B. cheguei aqui. Espero que gostem da minha opção.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Selecção eliminada do Mundial


É claro que a Espanha foi mais convincente, e o resultado até não lhe fica mal.
Mas sem dúvida que Fábio Coentrão, e Eduardo não mereciam ter perdido. Foram notáveis, merecem os nossos elogios, e quer-me parecer que se tivessem chegado aos penaltys, com um guarda- redes desta craveira, poderiam bem ter ganho.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Migalhas que ficaram VII

almotolia




O Sr. José Frango
 

Sim, traga com fartura...



O seu nome era José da Silva Arcos, mas a família tinha a alcunha dos "Frangos". Por isso, na gíria popular, por ela é
que assim eram todos designados.
O Sr. José Frango fora até ao Brasil donde trouxera algumas economias que lhe serviam de ajudóiro a uma vida sem desaprumos. Mas depois que regressou ao seu lar, administrava o amanho dumas pequenas e magras courelas pelos seus familiares.
A moradia estava situada na encosta da Lomba. Era uma modesta casa térrea e torre com as indispensáveis instalações agrícolas.
A Lomba fica no flanco noroeste do monte de Casais. A seus pés correm as águas dos Urdais que ali ao pé se vão juntar às do Este, depois de ter andado pelas Felgueiras e pelas Arroteias.
O vale que os dois fertilizam e regam, é úbere. Os viçosos prados sempre verdejantes com as forragens dos gados, os triguedos das searas, as frondosas ramarias dos choupos e salgueiros que marginam a corrente, e os vinhedos que circundam os campos, são um deleite aos olhos de quem observa.

Para o Sr. José Frango, a Lomba era uma ampla açoteia natural, donde podia admirar e gozar um maravilhoso panorama que dali se lhe patenteava.
Se volvia os olhos para o nascente, deparava com uma extensa planície para lá da Cancela do Cerco, por onde corriam as lebres ladinas e se acoitavam raposas matreiras. As copas dos pinheiros que a revestem e cobrem, semelham um tapete de veludo em tons verde-negros. E quando o Bóreas enfurecido começa a bufar, a sacudir e vergar as suas ramarias, assiste-se a um curioso e ciclópico espectáculo, semelhante aos galopes épicos de belicosos esquadrões em luta. Passada a fúria, regressa a calma; e então pode-se contemplar aquelas pontas erguidas para o céu em serena e pacífica quietude.
Mas se olhasse para ocidente, o panorama era completamente diferente. Emoldurado pelas Pedregulhas e o morro pinígero da Quinta de Baixo, o quadro era surpreendente de boculismo e beleza. Sobre um fundo azul com pinceladas de esmeralda e ocre, surge a silhueta esguia da igreja paroquial, de grimpa ponteaguda a recortar-se no espaço do infinito. Por vezes os raios luminosos do sol no ocaso, difundindo-se por entre os farrapos de alguma nuvem arredia, projectando-se para além, matizam o horizonte como de tela se tratasse, de zarcão e púrpura.
E se olhasse na direcção do quadrante de nordeste, a vista ultrapassava para além da ourela da freguesia, destacando-se a cumiada da Serra de Rates e
o vale extenso.
E era aqui que o Sr. José Frango desfrutava e gozava os seus dias, não permitindo que se esquecesse o seu estatuto de "brasileiro" ao qual, sempre se associava a ideia de abastança.
.-.
A mulher acerca-se. Traz na mão uma almotolia grande, de canada, para o azeite. E anunciando que é preciso dele prover-se, interroga da porção que deseja que ela traga:
- Então, quanto será melhor trazer?
- Sim, - responde ele a fanfarrear aparências de grandeza - traga que chegue; traga com fartura para não andar sempre a comprar.
- Mas então, vá ... diga quanto hei-de trazer.
- Traga que chegue. Aí ... um quarteirão dele...
E lá vai ela, a mulher, toda empertigada, com aquela avantesma na mão para trazer dentro dela um quarteirão de azeite;" para não andar sempre a comprar".
Rates ( anos 60)Joaquim D. Cancela

Canada - 1,5 l
Quarteirão - 0,125 l

sábado, 22 de maio de 2010

22 de Maio

A homenagem a minha Mãe, no dia que era dos seus anos.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

O dinheiro de São Pedro



De tal modo imitou o papa a singeleza
do mártir do calvário
que, à força de gastar os bens com a pobreza,
tornou-se milionário.

Tu hoje podes ver, ó filho de Maria,
o teu vigário humilde
conversando na Bolsa em fundos da Turquia
com o Barão Rotschild.

A cruz da redenção, que deu ao mundo a vida,
por te haver dado a morte,
tem-na no seu bureau o padre-santo erguida
sobre uma caixa forte.

E toda essa riqueza imensa, acumulada
por tantos financeiros,
o que é a economia, oh Deus ! foi começada
só com trinta dinheiros !
.
Guerra Junqueiro

sexta-feira, 7 de maio de 2010

O CANTO DA TERRA

Der Trunkene im Frühling (“O Bêbado na Primavera”) o quinto andamento do Canto da Terra, é um hino aos prazeres da bebida. Um pássaro desperta o ébrio e, informa-o, que a primavera chegou durante a noite. O ébrio protesta e diz que não acredita ter nada a ver com a primavera ou o canto dos pássaros:

Und wenn ich mich mehr singen kann,
So schlaf’ ich wieder ein,
Was geht mich denn der Frühling an!?
Lasst mich betrunken sein!

“E se não posso mais cantar,
então durmo de novo,
que me importa a primavera?
Deixai-me com a minha embriaguez!”

segunda-feira, 3 de maio de 2010

VELHA SABEDORIA



Somos compradores de vinho novo e velho,

E ao mesmo tempo vendedores do mundo ao preço de dois

grãos de cevada

Perguntaste: "Após a morte para onde vais?"

Traz-me vinho! e vai tu onde quiseres.


Umar-i Khayyãm
poeta astrónomo e matemático persa
(1048-1132,d.C.)